Publicado por: Paulo Fragoso | 23/01/2014

Tenho medo.

Até já tenho medo. Um simples gesto para saber das pessoas que me são queridas, pode tornar-se em algo medonho, triste, terrível e doloroso. Porque isto não se endireita. Sim, até já tenho medo. Gosto de saber daqueles de quem eu gosto, dos que me dizem muito, daqueles de quem eu tenho saudades, dos que me confortam quando eu preciso, dos que estão lá mesmo estando longe da vista. São aqueles que estão no coração.E gosto de lhes ouvir a voz, já que não tenho a presença. Mas até já tenho medo. Um acto que em tempos era de alegria, risota de um lado e de outro, de troca de palavras animadas e suculentas, é agora um acto temeroso. Até já tenho medo. Já penso duas vezes antes de pegar no telefone e ligar a alguém que me quer bem, tal como eu quero ao outro, porque sei que corro um sério risco. As palavras balbuciadas já não são feitas de açúcar, já não se ouve um riso, apenas um sorriso de somenos aqui e acolá porque não dá para mais. Por muito que se queira, por muito que haja um esforço para ser mais que um simples sorriso, não dá. Até já tenho medo. E por muito que eu queira ser a parte positiva da conversa, não consigo. São cada vez mais os que me dão a notícia: “fiquei sem trabalho!”, “fui pra rua!”, “despediram-me!”. Desde mais novos a menos jovens, ninguém está imune à epidemia que se alastra a olhos vistos. E ninguém faz nada!!!!! Até já tenho medo. De ser eu o próximo. Quem conseguirá dizer que se sente seguro, vendo o que se passa à nossa volta? Que palavras tenho que ter para os que sentem na pele a doença deste país? E aos meus, que são o futuro disto, já não lhes consigo dizer para não passarem a fronteira. Porque não vejo outra solução. Até já tenho medo. De acordar e não ver uma saída. Porque não vejo mesmo.

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Responses

  1. Muito bom! Partilho dos mesmos medos! Viagem interminável esta em que nos meteram!! E eu que nunca gostei de montanhas russas…

  2. Tenho MEDO de não chegar até onde quero!
    Mas vou tentar com todas as minhas forças, ´
    até ao fim! …mesmo que perca o desafio!

  3. Boa tarde, Paulo,

    Recebi há pouco o texto que lhe envio abaixo e que acho que poderá, de alguma forma, “responder” ao seu desabafo. Espero que ajude. É de alguém que não conheço pessoalmente mas de quem costumo receber e-mails, crónicas e desabafos. E gosto de ler o que ele escreve. :o)

    Um abraço.

    “Não há solução

    Há momentos em que a vida resolve tirar-nos o tapete debaixo dos pés – mesmo que façamos o nosso melhor para a encarar da melhor forma.

    Exemplos não faltam. Como a pressão extra quando tudo o que precisavas naquele momento era que te deixassem respirar. Ou a situação para a qual trabalhaste arduamente para um desfecho positivo e se converteu em nada, de forma injusta ou ilegítima. A tragédia que te bateu à porta – e o apoio que precisavas não aparece. Ou ainda o medo avassalador que te visitou, quando menos o podias suportar.

    Passei por todas as situações que referi, sem exceção. E suspeito que o mesmo acontece contigo – se não em todas, numa ou em várias.

    Seja qual for a lista de infortúnios, para todos a solução é a mesma.

    Escrevi solução porque, na verdade, não existe uma solução.

    Sim, é isso mesmo que leste – não há nada que possa resolver isto.

    A verdade que partilho contigo é esta: nada pode mudar determinadas situações quando acontecem.

    Podes conter danos, agir decisivamente para alterar o que virá ou vir a receber algo ainda melhor – tudo pode ser válido e fazer a diferença. Mas nada te pode devolver o que tinhas depois de o perderes. Nada te pode devolver a paz, a pessoa que perdeste ou o sucesso que te foi negado. Nada.

    Resta-te uma e uma só coisa: ficar com o que resta do que foi. Ficares contigo.

    Ficares contigo não é uma solução – é seres a solução.

    É estares com tudo o que és depois do que perdeste. E esta é uma realização tremenda – não cabe em emails, livros, formações ou sessões de coaching – ainda que te abram janelas para o perceberes.

    É seres capaz de abraçares a amálgama de destroços que sentes – e sentires-te a escorrer em ti, sem te abandonar.

    É entenderes, em cada miligrama do teu Ser, que te escreves com maiúscula – nada nem ninguém poderá destruir o que verdadeiramente te constrói.

    É teres coragem de sentir, sentir a sério, a beleza indescritível que continua a brilhar no meio da destruição – veres o infinito que És – e que o Universo criou para se Amar.

    Aceita que há coisas na vida que não têm soluções – pela simples razão que só tu te podes tornar nela. Cresce para lá dos limites do razoável, do imaginável, do possível. Ultrapassa-te constantemente, em entender, em amar, em Ser, nesta chocante e maravilhosa aventura que é estar por cá. Vive e deixa-te viver. Prometo-te que vou continuar a fazer o mesmo.”

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    “Sonhar Sem Agir é como Amar Sem Cuidar”

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