Publicado por: Paulo Fragoso | 15/01/2013

Aquele meu eu…

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Aquele meu eu ali especado no meio do chão a olhar para mim com desprezo. Mas desprezo porquê se é aquele meu eu que está prostrado, frio e incolor, sobre as pedras da calçada que o acamam? Pressinto que tem algo a dizer-me, que busca as palavras entre cada rebordo da sua silhueta. Mas nada lhe sai. Só mais um gesto repetido. Vezes sem conta me repete, mas nada lhe sai. Custa-lhe assim tanto dar a tal palavra? Afinal é a minha sombra por alguma razão. Que motivos a levam a calar-se, a fazer-se de muda? Aquele meu eu…fazia-o mais amigo. Mais corajoso. E no entretanto responde. Vê aquilo que eu não vejo. Do chão sente-se as coisas de uma outra forma. Porque se está vulnerável. Alguém que passa e pisa aquele meu eu. E nada posso fazer contra isso. Terá aquele meu eu algum intuito de me ajudar? Peço-lhe que se levante e que se sente ao meu lado. Que me abrace, que me aconchegue. Que me garanta que, como minha sombra, jamais me abandonará. Não tenho garantias disso, porque se muda está, calada continuará. E no entanto ao estender-lhe a mão…

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Responses

  1. Gosto… muito… tanto….Obrigada pela tua escrita Paulo Fragoso….


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