Publicado por: Paulo Fragoso | 28/05/2008

Zuuummmmmmm

Insistia em jogar às escondidas. Vestia a sua capa e lá ia ela. Saltitava de parede em parede, agarrava-se ao cortinado, avançava para a madeira da cama para se camuflar. Eu sabia que ela por ali andava, cheiro-as à distância. Põem-me fulo pois imagino-as a rirem-se de mim à caça. Acho que chegam mesmo a gozar com a minha cara atacada. Mais parece que busco o Santo Graal ou a Atlântida. É o jogo do gato e do rato tal como o é a nossa vida. Uma vida de sobrevivência, de aperto, de tentativa de fuga ao que nos é contra. Jogam-se cartadas finais muitas vezes sem orientação própria. Pensa-se que estamos a salvo, resguardados, que tomámos as devidas precauções. E assim saltamos de pedra em pedra, à espera de não escorregar. Tal como aquela safada que continua escondida. Eu sei que está à espreita do meu próximo passo. Apago as luzes e assim fico uns minutos. Julgo ser o mais inteligente. Deveria sê-lo pelas leis da natureza. É no escuro que elas se movem melhor e cheiram o sangue. Quando a sinto no ar outra vez volto a atacar, luzes no máximo. Ali está ela, imóvel, bem por cima da minha cabeceira. Pé ante pé aproximo-me esperando que ela não sinta a minha tentativa desesperada de ter sossego. Faço pontaria, vai de chinelo mesmo, mas temendo que o sono que me ataca não me dê o discernimento necessário em tão nobre acção tendo em vista a minha serenidade, paz, sossego,  o que se queira chamar. Avanço num só movimento e já está! Esborrachada, espalmada. Como muitos de nós se sente muitas vezes quando a sua luta, a sua própria luta, não leva a nada ou não leva onde se quer. Uma luta pela vida foi o que também fez esta maldita…melga.

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Responses

  1. Realmente muitos de nós temos um pouco de melga. Não das que melgam quando lhes cheira a sangue mas das que lutam pela vida e acabam esborrachadas… ou talvez não porque conseguem escapar ao ataque do chinelo.

  2. ola paulo …ca estou eu a comentar outra vez
    parece que ha qualquer coisa ou alguem a “melgar” a sua cabeça…essa pessoa parece lhe hesitante pelas acçoes que toma …quem merece uma chinelada …a melga ou quem se deixa melgar…uma boa questao.
    o jogo das escondidas tem muito que se diga e nao falemos das cartadas finais que nao passam de pedidos desesperados, pelo tempo de espera.
    deixo lhe o meu apoio… quem espera desespera mas nao deixe de esperar e mostrar que sabe esperar pois como tudo na vida o tempo recompensa nos: e obtemos o ceu pretendida… ou seja a lua… tudo fe bom para si.
    o espelho

  3. Estou com pena da melga,…À chinelada? Acho que lhe posso chamar, a si, P.F., El Matador. Bem,…esta melga anda… literalmente a dar-lhe a volta à cabeça, mas à chinelada? Coitada, se calhar esconde-se porque é tímida, não tem coragem de o encarar “olho no olho”, a rir-se de si, também não me parece, se calhar só lhe queira fazer umas cóceguinhas no nariz, na orelha ou até mesmo na bochecha… enfim, andar à sua volta para o sentir, porque como ser inferior que é em relação a si , “uma estrela” quer queira ou não, ela “a melga” pensará!…- Quem sou eu para achar que ele “você” não me vai esmagar quado me apanhar a jeito?!!! Eu acho que esta “sua” melga è uma querida e não uma sanguesuga como você lhe chama. Tenha calma e não desespere. Até breve.

  4. Mr quase perfeito, então uma melga faz “zummmmmmmmmmmmm”??????????Isso não seria a máquina de lavar ???? ehhee Gostei muito, como sempre. Gostava de um dia ver qualquer coisa do Paulo editada. Um livro só seu. E melgas há muitas……. é preciso saber trocar-lhe as voltas 😉 Beijo

  5. Malditas Melgas!!!
    Sejam elas grandes ou pequenas, com ou sem asas…
    Na verdade, é um bom exemplo de tudo aquilo de que nos consegue tirar do sério. Mas as melgas, as que coitadas padecem do nome, rápidamente se eliminam. Pior são aquelas que nos melgam constantemente e que pelos motivos mais evidentes, não as podemos eliminar porque fazem parte da nossa vida.
    Concordo que o sucesso está na paciencia e persistência de cada um de nós, perante cada dificuldade que enfrentamos…
    Até breve.
    Daniela

  6. Há qualquer coisa de profundamente irresistível nos homens que nunca deixam de ter coisas de rapazes. O olhar aceso de quem acabou de roubar chocolates da dispensa, o andar errático, os cabelos sempre despenteados e o riso tímido como se fosse sempre a primeira vez. São meninos para sempre e podem viver para sempre em guerra com “melgas” à cabeceira.
    Parecem uma espécie de rapazinhos capazes de grandes tropelias que escondem a idade atrás das marcas que foram herdando dos dias; a infância guardada, a adolescência dos copos, a primeira vez que andaram à pancada com os “melgas”, a vontade de sair de casa e abraçar o mundo, e depois a solidão repartida entre as “melguinhas” que desejaram e nunca tiveram e as outras, as que vos incendiavam o corpo e vos deixavam o coração em pedra porque nunca as amaram.
    Depois crescem, começam a trabalhar, o Amor e os filhotes, e agora, a viverem numa cidade, em casas pequenas demais para os vossos sonhos que se dissolvem da mesma forma que já perderam uma ou duas “melguinhas” que não souberam ou quiseram amar da forma certa, aquela que faz com que as pessoas continuem juntas pela vida, como se tivessem sido separadas à nascença e um fio invisível as voltasse a unir para sempre. E perguntam-se se essa “melguinha” já passou pela vossa vida ou se o destino ainda a pode trazer, vestida de Primavera. Imaginam a sua chegada como se descesse de um baloiço suspenso das nuvens com os braços estendidos, o cheiro adocicado da sua pele, a boca a pedir atenção e o olhar a perguntar-vos se vão escolhê-la, quando foi ela que já vos escolheu e só vos está a dar a ilusão que são vocês que mandam na vossa vida.
    Respiram fundo e desejam que essa “melguinha” chegue um dia ou cheguem vocês a ela, porque entretanto podem ficar com uma outra e outra e vão deixar-se ir, na ilusão da novidade.
    É ainda tempo de guardarem no silêncio dos vossos dias a vontade. Estão atrasados para o vosso dia e ela adiantada, por isso respirem fundo, ela continua sentada no baloiço, lá mesmo em cima, para que não a vejam, até um dia em que o vosso coração fala mais alto e zuummmmmm


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