Publicado por: Paulo Fragoso | Outubro 5, 2011

O amigo

Com o passar do tempo, com todo este excesso de velocidade a que rola o século que estamos a viver, vários são os perigos que vão surgindo. Por exemplo, o de vivermos cada vez mais sós e isolados do resto dos humanos, tantas são as máquinas e tecnologias a que nos agarramos. São os computadores, é a televisão, são os telefones, as consolas e os jogos cada vez mais evoluídos e a dar-nos motivos mais que suficientes para justificar o nosso isolamento. Apesar disto, não deixa de ser um paradoxo o facto de muitos de nós se gabar de ter muitos amigos…no Facebook! Ou seja, corre-se o perigo de se descaracterizar o significado de uma das mais bonitas palavras do vocabulário: Amigo! Assim mesmo, com letra maiúscula. Quantos amigos se tem verdadeiramente, daqueles que quando são precisos estão lá? Ou será que vai clicar no seu rato e escolher um aleatoriamente? Felizmente que são ainda muitos aqueles que sentem o amigo que está por trás dessa outra máquina a que deram o nome de rádio. É o meio que sempre foi e sempre será diferente. E feliz aquele que encontra um amigo digno desse nome.

Publicado por: Paulo Fragoso | Abril 25, 2011

Um trato assim e assado!

Que somos pequeninos lá isso somos. Mas, tal como os homens, também não nos medimos aos palmos. Não é no tamanho que se vê a grandeza de algo ou de alguém, mas diga-se a verdade que ainda somos aqueles em que avaliamos uma pessoa através daquilo que veste, por exemplo. Experimentem ir a um banco solicitar um empréstimo para qualquer coisa. Primeiro vão de jeans, rotos de preferência, e t-shirt. Depois vão de fato e gravata. Mesmo que não o sejam passam a ser o Sr. Dr. Se por acaso são mesmo doutores, então estão mais que garantidos. Esta dualidade  de avaliação de um indivíduo pelo aspecto torna-se tão mais ridículo quanto o facto de alguém pagar uma conta com um cartão dourado ou com um simples visa, ser atendido de uma forma diferente. Como é possivel deduzir que um é mais teso que o outro só por estes factores? Reparem que eu até posso ser o maior pelintra ao cimo da terra, mas se levo o meu fatinho Boss onde quer que seja, em vez das minhas queridas calças de ganga rasgadas, passo a ser um senhor, a quem me estendem a bandeja de ouro até. E que dizer das empresas em que a lista telefónica interna faz questão de ter as abreviaturas de “Dr.” e “Drª”, só porque se tem um canudo, só porque se terminou um curso académico, independentemente de se estar a exercer a função para a qual se estudou? Em que é que essas pessoas são diferentes de outras no trato, que “só” tenham o 9º ou o 12º ano? Em nada. Aliás, muitas vezes acontece serem estes últimos bem mais competentes e trabalhadores do que os pseudo doutores. Ah triste país este que se não dá o salto em coisas tão básicas como estas, jamais chegará a pisar os calcanhares de outros realmente conscientes da sua grandeza.

Publicado por: Paulo Fragoso | Fevereiro 7, 2011

Onde está esse povo?

Era uma vez um povo que habitava a ponta mais a oeste da Europa. Um povo com um passado glorioso, uma vastíssima história de que se podia orgulhar aos sete ventos. Os mesmos ventos que o levou para lá da Taprobana e que elevou meros homens de carne e osso a heróis do mundo. O mesmo mundo que foi sendo desbravado ao longo de séculos com uma ânsia indescritível de chegar mais além antes de todos os outros. Os outros que iam ficando para trás porque não tinham a coragem de se fazer ao mar que nem gente grande como esse tal povo, que um dia entrou nos livros. Eram os donos do mundo, não se acomodavam, não ficavam à espera que as coisas acontecessem. E já nessa altura a Europa atravessava uma grave crise. Mas nem por isso esse bravo povo se deixou abalar. De abalada só mesmo aqueles que levaram aos quatro cantos a bandeira da nação com o orgulho a correr-lhes nas veias. O mundo cresceu porque esse povo existiu e provou ser capaz de feitos gloriosos. Está na altura de aprender com ele, de olhar para esses antepassados e acreditar que é possível. Tal como esse belo povo um dia também acreditou.

Publicado por: Paulo Fragoso | Julho 26, 2010

Olha os entas!

Cheguei aos “entas”. Aconteceu esta semana. Grito aos 4 ventos a notícia, o feito de ter atingido quatro décadas de vida. Uma vida como qualquer outra com altos e baixos (felizmente muitos mais altos), com alegrias (muitas) e tristezas, com choros e risos, com músicas e silêncios, encontros e desencontros. Uma vida igual a tantas outras, igual à sua afinal. Cheguei aqui com várias árvores plantadas ( e até mesmo algumas batatas), com 2 filhos lindos que são a minha vida e até com umas linhas escritas em livro. Sou feliz porque me rodeio de quem me quer bem e me ama. E feliz sou por fazer aquilo de que realmente gosto: rádio. Mais de metade destes 40 foi dedicado a esta paixão. Daí que não seja de admirar ter trabalhado no dia em que entrei nos “entas”. Todos me questionavam, inclusive quem me ouve todos os dias, do porquê de estar a trabalhar num dia que é o mais pessoal  que temos. Ora,  primeiro porque o dever fala mais alto e depois quem é que não gosta de ser mimado, ainda para mais tendo eu o privilégio de o ser por milhares que gostam de mim e daquilo que eu faço?  Acha que sou parvo?

Publicado por: Paulo Fragoso | Maio 4, 2010

Semente

É semente que se lança, sem saber o que dá avança. Paramos um pouco e lembramo-nos que também o fomos um dia, uma hora, um minuto. É semente que se lança sem saber se se apanha. Há a esperança de que se alcance e que um dia se colha algo. Algo que mudará nossas vidas, nossa existência, nosso dia-a-dia, nossas rotinas. Tal e qual cada um de nós o fez em tempos. É semente que um dia pisará terra. E foi semente que deu flor. Com calor, carinho e amor desabrochou um dia. Semente de um corpo que dá luz a uma vida. Flor cujas pétalas brilham ao sol, esvoaçam na brisa que empregna  de alegria tudo o que a rodeia. É flor que crescerá e tentará manter-se firme no seu canteiro mas à espera de uma qualquer borboleta que lhe dê ainda mais vida, mais cor, mais cheiro. É a flor que,  graciosa e estonteante, irá dar também as suas florzinhas. Mas que agora é apenas e só o meu jardim encantado. Quem diria que daquela semente saiu um dos meus tesouros, daqueles que bem enterrado no meu coração, jamais sairá. Venha quem vier, dê por onde der.

(Parabéns minha filha Joana)

Publicado por: Paulo Fragoso | Março 12, 2010

Ser Mulher

Esta foi a semana do Dia da Mulher. Não são poucos os homens que se queixam, não sem alguma ironia à mistura, do porquê de só elas terem um dia que lhes é dedicado. Pois a esses eu respondo: porque elas merecem! Merecem não só esses como também os outros 364 dias do ano. Merecem porque são elas que sofrem preconceitos, são elas que carregam ao colo o nosso mundo, com as suas injustiças e discriminações; porque são o centro nuclear da nossa vivência. É a Mulher que é forte quando é preciso, é a que pode perder a luta mas não os ideais. É delas o aconchego, o sorriso e o abraço. É a Mulher que não deixa cair a coragem, é ela que de saltos altos sonha em tocar a sua lua de esperança, que não faz cair por terra um sonho desfeito por um acaso do destino. É a que troca a direita com a esquerda mas é também quem sabe ser guerreira sem armas para guerrear. É tempestade e bonança. É esposa, mãe, mulher heroína, diamante que não se lapida. Sexo fraco? Só para quem não quer admitir o contrário. Mulher é sinónimo de mistério. Um mistério que nenhum homem alguma vez irá desvendar a 100%. E que belo mistério.

Publicado por: Paulo Fragoso | Janeiro 20, 2010

10.25h…outra vez

Viver é uma corrida contra o tempo. Basta olharmos à nossa volta para o sentir. Poucos são os momentos em que parece que o mundo pára, que nada mais há a não ser aquele flash que regista para todo o sempre aquele minuto, aquele segundo. Aqueles momentos que temos a certeza de que são para todo o sempre, que nos fazem agradecer a toda a hora o termos presenciado, o termos sido testemunhas. Porque são únicos, porque são mágicos e porque trazem vida à nossa própria vida. Vivi um desses momentos há 10 anos. Foi a 24 de Janeiro. Ver nascer um filho é algo que não se explica, sente-se. E guarda-se eternamente e ternamente a imagem daquele ser que salta do ventre que o carregou largos meses, para as mãos daquela parteira que o ampara e o dá de volta à mãe por breves instantes. Um toma-lá-dá-cá que mais parecia um jogo do empurra, com o meu João como joguete. Foi aqui que o mundo parou para mim. Eram 10.25 da manhã. Eu estava lá e vi-o chegar. Foi a hora mais bonita e intensa que vivi nos meus quase 40 anos de vida. Só peço a Deus que me ajude a preservar esta imagem até ao meu último suspiro.

Publicado por: Paulo Fragoso | Janeiro 13, 2010

Quando cheira bem

De preferência com sol. Dá-lhe outra luminosidade, dá-lhe aquela aura que ofusca o olhar e o espírito. Mesmo sabendo que é para ir trabalhar, aquela vontade de não ir desvanece-se ao admirá-la. Como sempre, os que lá passam não lhe dão grande valor, olham para ela como o seu poiso de algumas horas. Como é o meu também. Mas há ali algo que não me deixa cansado de a ver. Não sei se a disposição dos telhados, se o grande rio que a acaricia, se o colorido dos edifícios centenários espalhados pelas colinas, se o fado entranhado nas vielas, ou se apenas aqueles monstrinhos amarelos nos carris. É única no seu trato, não só porque é nossa. Tem alma. A dos poetas que a percorrem em busca de inspiração; a dos pintores que lhe querem tirar o melhor retrato em pinceladas de cada esquina, de cada ruela triste mas cheia de vida; a alma daquele idoso que percorre o largo a matar o seu tempo até voltar às suas águas furtadas com vista para essa massa de água que é o seu espelho diário. A alma dos mais imberbes, daqueles que a preferem à luz da lua, aqueles que não deixam acabar a vida que tem de dia, embora com outros propósitos. A alma dos desalmados, dos que de tudo fogem, dos que deixaram de lutar, dos que enceram a calçada de cada avenida. Admiro-a todos os dias no meio do rio, na outra margem e mesmo por dentro das suas entranhas, mas confesso que é lá do alto que me dá mais gozo vê-la, inspirá-la em cada miradouro como se fosse o último fôlego ou à chegada de uma qualquer outra metrópole espalhada pelo mundo. É nesses momentos que realmente cheira bem…cheira a Lisboa.

Publicado por: Paulo Fragoso | Dezembro 23, 2009

Refresh

Então não é que agora dizem que o velhote é mau exemplo para os miúdos? que tem que mudar a sua imagem? que já não se coaduna com os tempos que correm? que tem que fazer um refresh para este século 21 e coisa e tal? então mas pergunto eu: onde é que isto vai parar? já não basta o gelo da sua Lapónia estar a desaparecer e todos virarem a cara para o lado assobiando e adiando decisões que a todos interessa para o futuro do planeta, como agora ainda dizem que o Pai Natal…tem que emagrecer!?!?!?!!?!?!?!?!?  Segundo consta, aquela barriga não leva a lado nenhum, porque as criancinhas que não comem sopa e bebem colas em vez de água, que vão ao cinema e embrutam com 5 kg’s de pipocas, meio litro de qualquer coisa com gás e saem da sala e  ainda vão a correr para se empaturrarem com o 5º Mac da semana, podem achar que o senhor das barbas que todos os anos chega por estar altura, é um exemplo a seguir e toca de ser obeso só porque o Pai Natal também é! Então mas isto é lá coisa que se diga ou sequer se  pense? Há alguém que consiga imaginar o velhote com abdominais à Ronaldo ou a fazer concorrência ao Bolt em velocidade, ou mesmo com os bíceps do Schwarzenegger nos seus tempos áureos de Mr. Universo? Tenham juízo mas é e deixem lá estar o Pai Natal como sempre o conhecemos. Até o podem pôr a andar de mota que é para a distribuição dos presentes ser mais rápida, mas agora um Pai Natal de passerele é que não! Feliz Natal

Publicado por: Paulo Fragoso | Outubro 2, 2009

Bom, mau…e o vilão???

Até que ponto se pode entender o que é bom e o que é mau? Quem determina o que é bom e o que é mau? Que direito tenho eu de julgar o que é bom ou mau? Quantas vezes acontece termos algo bom em mãos que, com o tempo, se transforma em algo mau? E o que é mau que, num abrir e fechar de olhos, fica bom? serão demasiadas questões e dúvidas mas uma certeza: quando o meu bom e o meu mau colidem com o de outrém, rebentam as discussões, as lutas e até mesmo as guerras. Sim porque o que é bom para mim pode ser mau para outro, um gesto, uma palavra, uma gargalhada, uma chuvada ou simplesmente um cheiro. Qual é o fundamento lógico para decidir o que é uma coisa e o que é a outra? se é que existe isso.

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