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Viver é uma corrida contra o tempo. Basta olharmos à nossa volta para o sentir. Poucos são os momentos em que parece que o mundo pára, que nada mais há a não ser aquele flash que regista para todo o sempre aquele minuto, aquele segundo. Aqueles momentos que temos a certeza de que são para todo o sempre, que nos fazem agradecer a toda a hora o termos presenciado, o termos sido testemunhas. Porque são únicos, porque são mágicos e porque trazem vida à nossa própria vida. Vivi um desses momentos há 10 anos. Foi a 24 de Janeiro. Ver nascer um filho é algo que não se explica, sente-se. E guarda-se eternamente e ternamente a imagem daquele ser que salta do ventre que o carregou largos meses, para as mãos daquela parteira que o ampara e o dá de volta à mãe por breves instantes. Um toma-lá-dá-cá que mais parecia um jogo do empurra, com o meu João como joguete. Foi aqui que o mundo parou para mim. Eram 10.25 da manhã. Eu estava lá e vi-o chegar. Foi a hora mais bonita e intensa que vivi nos meus quase 40 anos de vida. Só peço a Deus que me ajude a preservar esta imagem até ao meu último suspiro.
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De preferência com sol. Dá-lhe outra luminosidade, dá-lhe aquela aura que ofusca o olhar e o espírito. Mesmo sabendo que é para ir trabalhar, aquela vontade de não ir desvanece-se ao admirá-la. Como sempre, os que lá passam não lhe dão grande valor, olham para ela como o seu poiso de algumas horas. Como é o meu também. Mas há ali algo que não me deixa cansado de a ver. Não sei se a disposição dos telhados, se o grande rio que a acaricia, se o colorido dos edifícios centenários espalhados pelas colinas, se o fado entranhado nas vielas, ou se apenas aqueles monstrinhos amarelos nos carris. É única no seu trato, não só porque é nossa. Tem alma. A dos poetas que a percorrem em busca de inspiração; a dos pintores que lhe querem tirar o melhor retrato em pinceladas de cada esquina, de cada ruela triste mas cheia de vida; a alma daquele idoso que percorre o largo a matar o seu tempo até voltar às suas águas furtadas com vista para essa massa de água que é o seu espelho diário. A alma dos mais imberbes, daqueles que a preferem à luz da lua, aqueles que não deixam acabar a vida que tem de dia, embora com outros propósitos. A alma dos desalmados, dos que de tudo fogem, dos que deixaram de lutar, dos que enceram a calçada de cada avenida. Admiro-a todos os dias no meio do rio, na outra margem e mesmo por dentro das suas entranhas, mas confesso que é lá do alto que me dá mais gozo vê-la, inspirá-la em cada miradouro como se fosse o último fôlego ou à chegada de uma qualquer outra metrópole espalhada pelo mundo. É nesses momentos que realmente cheira bem…cheira a Lisboa.
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Então não é que agora dizem que o velhote é mau exemplo para os miúdos? que tem que mudar a sua imagem? que já não se coaduna com os tempos que correm? que tem que fazer um refresh para este século 21 e coisa e tal? então mas pergunto eu: onde é que isto vai parar? já não basta o gelo da sua Lapónia estar a desaparecer e todos virarem a cara para o lado assobiando e adiando decisões que a todos interessa para o futuro do planeta, como agora ainda dizem que o Pai Natal…tem que emagrecer!?!?!?!!?!?!?!?!? Segundo consta, aquela barriga não leva a lado nenhum, porque as criancinhas que não comem sopa e bebem colas em vez de água, que vão ao cinema e embrutam com 5 kg’s de pipocas, meio litro de qualquer coisa com gás e saem da sala e ainda vão a correr para se empaturrarem com o 5º Mac da semana, podem achar que o senhor das barbas que todos os anos chega por estar altura, é um exemplo a seguir e toca de ser obeso só porque o Pai Natal também é! Então mas isto é lá coisa que se diga ou sequer se pense? Há alguém que consiga imaginar o velhote com abdominais à Ronaldo ou a fazer concorrência ao Bolt em velocidade, ou mesmo com os bíceps do Schwarzenegger nos seus tempos áureos de Mr. Universo? Tenham juízo mas é e deixem lá estar o Pai Natal como sempre o conhecemos. Até o podem pôr a andar de mota que é para a distribuição dos presentes ser mais rápida, mas agora um Pai Natal de passerele é que não! Feliz Natal
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Até que ponto se pode entender o que é bom e o que é mau? Quem determina o que é bom e o que é mau? Que direito tenho eu de julgar o que é bom ou mau? Quantas vezes acontece termos algo bom em mãos que, com o tempo, se transforma em algo mau? E o que é mau que, num abrir e fechar de olhos, fica bom? serão demasiadas questões e dúvidas mas uma certeza: quando o meu bom e o meu mau colidem com o de outrém, rebentam as discussões, as lutas e até mesmo as guerras. Sim porque o que é bom para mim pode ser mau para outro, um gesto, uma palavra, uma gargalhada, uma chuvada ou simplesmente um cheiro. Qual é o fundamento lógico para decidir o que é uma coisa e o que é a outra? se é que existe isso.
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Chegamos a uma certa altura da nossa vida em que não há ninguém que não pense em como vai ser a sua velhice. Como será ter 70 anos? o que farei? como estarei? com quem? e estarei? Depois de uma vida dedicada ao trabalho anseia-se por dias tranquilos. Ninguém se verá de alguma forma, numa posição menos agradável. Dores nos ossos sim, mas nada mais que isso. Os filhos bem na vida e de bem com a vida. Os netos a rodearem-nos e a assimilarem a sabedoria de uma vida longa. A calmaria a tomar conta de nós, mais que merecida, depois de tanta labuta, de tantos anos a correr pela vida e a vida a saltitar com perna longa a fazer gato sapato do tempo que de tão transparente nos passa ao lado. O curioso deste ciclo é que cada fase, cada período, tem as suas características,os seus cheiros, os seus ingredientes. Há as doces, as azedas, as picantes, as ensonsas. O que interessa é que de cada uma delas se retire o sal da vida que, como deve ser, nunca é bom ser demais nem de muito menos. Vivemos um dia a correr atrás do outro sem a certeza do que encontrar. Mas sabemos o que já foi encontrado. E isso, já ninguém nos pode tirar.
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Há quem lhe chame bloqueio criativo. Não é o caso. A escrita tem fluído mas não aqui. Uma página ali, outra acolá, nunca sabendo o destino final de cada uma. O mais provável será um dia o bidão azul da reciclagem. Estas coisas da escrita já deu para perceber que não é quando queremos, é quando estamos para aí virados. Tem de haver o cheiro certo no momento certo. Tem sido assim nos últimos tempos, tenho estado virado ao contrário, diria. Razões dispersas, alheamentos de alma, vazios e páginas em branco é que nos assola de quando em vez. Sempre à espera de um raio, não que nos parta, mas que nos ilumine. sim, porque quem é vivo…
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A idade não lhe diz nada. Para ele o tempo não faz sentido. Passa todo um ano a preparar uma noite. Uma noite em que a palavra “despacho” é a que conta. Vai ser uma bola para este, um camião para aquele, uma boneca para aquela linda menina. Não, ele bem sabe que estamos na era das Playstations. Não interessa, o que importa é que são muitos à sua espera. O imaginário felizmente que ainda se mantém para muitos, embora seja cada vez mais difícil mantê-lo com tanta solicitação comercial, tanto desfazamento com os valores que , em tempos, eram cumpridos a rigor. Para todos os efeitos não é por dar um presente que ele é o maior. É por aquilo que simboliza, a felicidade. A felicidade de ver um sorriso nas crinças sim, mas não só nelas. De miúdos a graúdos, todos temos um dentro de nós. Ou deveríamos ter. E não só nesta altura do ano, era de ser obrigatório ter todos os dias. O tempo corre mas não passa por ele. Os ponteiros avançam e cada um de nós devia pensar que há muito “lixo” na vida, para que não se aproveite ao máximo a dádiva de estarmos aqui e podermos dizer um dia que vivemos. E bem. E ele vive e resiste à passagem do tempo. Não envelhece, a barba está sempre bem aparada e à medida e nem são uns quilos a mais que o impede de ser o mais desejado na noite de 24. Por isso, Pai Natal que me estás a ler, não me importo de ser o último a ser visitado por ti. Nem quero que me tragas presente. Desde que aceites o meu convite e fiques lá por casa o resto do ano. Para que cheire sempre a ti.
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A maior parte das vezes enaltece-se muito mais o papel de Mãe, a Mãe é colocada num patamar superior, se calhar porque a própria Mãe Natureza assim o impôs. Os 9 meses de gestação são um factor fundamental para que a Mãe tenha o papel principal. Concordo. Afinal, poucas são as mulheres que não têm o sonho de ser Mãe, de carregar um ser, de o sentir, de o ver nascer, de sair dentro de si aquele ser vivo. É algo de que se podem e devem gabar de só elas o fazer. É bonito ser-se Mãe mas olhe que ser Pai também é maravilhoso. Por mim falo. Eu bem queria também falar do meu porque faz hoje anos. Mas cá está: a Mãe, mais uma vez, dominou toda a conversa e o assunto “Pai” ficou para segundo plano. Diz-se que não há Mãe como a minha, que Mãe há só uma, que com 3 palavras apenas se escreve a palavra “Mãe”…e “Pai” não é assim também? Deste modo, meu Pai, e apesar de praticamente só ter falado em Mães, estas palavras foram todas a pensar em ti. Um dia feliz, muitos parabéns. Pai é Pai. E como o meu não há nenhum. Está bem, pronto Mãe, não fiques com ciúmes: também como tu não há igual.
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O mundo treme mas não pára. Hoje em dia treme por dois motivos: por tudo e por nada! São como que sismos à superfície com a diferença de que estes não atingem apenas e só uma determinada zona do planeta. É global, e embora para estes possa haver solução, o que é certo é que tardam em surgir resoluções concretas. Há sempre interessados na instabilidade, há sempre quem lucre muito mais com isso. E são, não raras vezes, mais poderosos do que aqueles que tudo fazem pela estabilidade. O mundo treme. Hoje é o petróleo que sobe porque se entupiu uma torneira algures na Nigéria ou um passarinho fez cócó na cabeça do responsável por encher mais um barril e por isso já não o fez. Tudo serve de desculpa. O mundo treme e é também culpa daquela casa de papelão no meio do deserto algures no Texas que não se vende e quem paga por isso? o resto do mundo! É um qualquer banco que antes de falir tenta levar tudo e todos consigo, qual Titanic. O mundo treme…mas os portugueses tremem ainda mais. Até nisto somos diferentes. Ao primeiro cheiro de crise temos a mania de baixar ainda mais os braços. “Venham acudir-nos, que daqui não mexo uma palha!”, é o que mais se ouve. Ter a iniciativa de ao menos tentar sair por cima é quase nula. Agarramo-nos ao mastro para não nos afogarmos. E trememos Somos pequeninos, dirão alguns. Pois sim. Mas mais alguém tem Fado, Fátima e Futebol como nós? (sim, até no futebol de bastidores somos diferentes, temos Apito e Dourado!) Só não queremos é ser lixados com mais algum F grande. O mundo treme. Até quando?
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Num destes dias reparei numa mulher que se sentou bem perto de mim numa daquelas minhas bi-diárias travessias do Tejo. Ia a falar sozinha.Literalmente. Demente não me pareceu, aliás tinha mesmo um aspecto bem saudável, diria mesmo que está na plenitude dos seus trinta e poucos anos. Sim, eu sei que o que se vê muitas vezes não corresponde ao que está por dentro. Que pensamentos em voz semi cerrada iam naquela cabeça não sei, eram imperceptíveis, mas mesmo naquele seu ar sereno deu para constatar que havia muitos assuntos a divagarem de neurónio em neurónio naquele cérebro que fervilhava e levava aquele ser humano a não conseguir deter o que dentro de si se passava. Seriam preocupações? dúvidas? planos? Não interessa. Com o olhar fixado no horizonte, senti que a qualquer instante aqueles pensamentos sairiam em forma de imagens daqueles olhos cor de mel, não me admirando nada que dali resultasse um excelente argumento de um filme. O mais incrível é que aquela mulher não se ficou por ali e ao deixar para trás aquelas toneladas de ferro que a transportaram por breves minutos pelo rio, os pensamentos não se quedaram com o inicío da sua caminhada agora em terra firme. A cada passo, vários momentos de lábios faziam escorrer ideias. E lá continuou, sabe-se lá até onde, quando os nossos caminhos se descruzaram.