Cheiro do Éter


Bom, mau…e o vilão???
Outubro 2, 2009, 10:59 pm
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Até que ponto se pode entender o que é bom e o que é mau? Quem determina o que é bom e o que é mau? Que direito tenho eu de julgar o que é bom ou mau? Quantas vezes acontece termos algo bom em mãos que, com o tempo, se transforma em algo mau? E o que é mau que, num abrir e fechar de olhos, fica bom? serão demasiadas questões e dúvidas mas uma certeza: quando o meu bom e o meu mau colidem com o de outrém, rebentam as discussões, as lutas e até mesmo as guerras. Sim porque o que é bom para mim pode ser mau para outro, um gesto, uma palavra, uma gargalhada, uma chuvada ou simplesmente um cheiro. Qual é o fundamento lógico para decidir o que é uma coisa e o que é a outra? se é que existe isso.



Tempo da bengala
Maio 24, 2009, 10:45 pm
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Chegamos a uma certa altura da nossa vida em que não há ninguém que não pense em como vai ser a sua velhice. Como será ter 70 anos? o que farei? como estarei? com quem? e estarei? Depois de uma vida dedicada ao trabalho anseia-se por dias tranquilos. Ninguém se verá de alguma forma, numa posição menos agradável. Dores nos ossos sim, mas nada mais que isso. Os filhos bem na vida e de bem com a vida. Os netos a rodearem-nos e a assimilarem a sabedoria de uma vida longa. A calmaria a tomar conta de nós, mais que merecida, depois de tanta labuta, de tantos anos a correr pela vida e a vida a saltitar com perna longa a fazer gato sapato do tempo que de tão transparente nos passa ao lado. O curioso deste ciclo é que cada fase, cada período, tem as suas características,os seus cheiros, os seus ingredientes. Há as doces, as azedas, as picantes, as ensonsas. O que interessa é que de cada uma delas se retire o sal da vida que, como deve ser, nunca é bom ser demais nem de muito menos. Vivemos um dia a correr atrás do outro sem a certeza do que encontrar. Mas sabemos o que já foi encontrado. E isso, já ninguém nos pode tirar.



Quem é vivo…
Março 11, 2009, 2:38 pm
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Há quem lhe chame bloqueio criativo. Não é o caso. A escrita tem fluído mas não aqui. Uma página ali, outra acolá, nunca sabendo o destino final de cada uma. O mais provável será um dia o bidão azul da reciclagem. Estas coisas da escrita já deu para perceber que não é quando queremos, é quando estamos para aí virados. Tem de haver o cheiro certo no momento certo. Tem sido assim nos últimos tempos, tenho estado virado ao contrário, diria. Razões dispersas, alheamentos de alma, vazios e páginas em branco é que nos assola de quando em vez. Sempre à espera de um raio, não que nos parta, mas que nos ilumine. sim, porque quem é vivo…



Feliz…o Natal!
Dezembro 20, 2008, 12:20 pm
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A idade não lhe diz nada. Para ele o tempo não faz sentido. Passa todo um ano a preparar uma noite. Uma noite em que a palavra “despacho” é a que conta. Vai ser uma bola para este, um camião para aquele, uma boneca para aquela linda menina. Não, ele bem sabe que estamos na era das Playstations. Não interessa, o que importa é que são muitos à sua espera. O imaginário felizmente que ainda se mantém para muitos, embora seja cada vez mais difícil mantê-lo com tanta solicitação comercial, tanto desfazamento com os valores que , em tempos, eram cumpridos a rigor. Para todos os efeitos não é por dar um presente que ele é o maior. É por aquilo que simboliza, a felicidade. A felicidade de ver um sorriso nas crinças sim, mas não só nelas. De miúdos a graúdos, todos temos um dentro de nós. Ou deveríamos ter. E não só nesta altura do ano, era de ser obrigatório ter todos os dias. O tempo corre mas não passa por ele. Os ponteiros avançam e cada um de nós devia pensar  que há muito “lixo” na vida, para que não se aproveite ao máximo a dádiva de estarmos aqui e podermos dizer um dia que vivemos. E bem. E ele vive e resiste à passagem do tempo. Não envelhece, a barba está sempre bem aparada e à medida e nem são uns quilos a mais que o impede de ser o mais desejado na noite de 24. Por isso, Pai Natal que me estás a ler, não me importo de ser o último a ser visitado por ti. Nem quero que me tragas presente. Desde que aceites o meu convite e fiques lá por casa o resto do ano. Para que cheire sempre a ti.



Cheiro a Pai
Outubro 31, 2008, 11:13 am
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 A maior parte das vezes enaltece-se muito mais o papel de Mãe, a Mãe é colocada num patamar superior, se calhar porque a própria Mãe Natureza assim o impôs. Os 9 meses de gestação são um factor fundamental para que a Mãe tenha o papel principal. Concordo. Afinal, poucas são as mulheres que não têm o sonho de ser Mãe, de carregar um ser, de o sentir, de o ver nascer, de sair dentro de si aquele ser vivo. É algo de que se podem e devem gabar de só elas o fazer. É bonito ser-se Mãe mas olhe que ser Pai também é maravilhoso. Por mim falo. Eu bem queria  também falar do meu porque faz hoje anos. Mas cá está: a Mãe, mais uma vez, dominou toda a conversa e  o assunto “Pai” ficou para segundo plano. Diz-se que não há Mãe como a minha, que Mãe há só uma, que com 3 palavras apenas se escreve a palavra “Mãe”…e “Pai” não é assim também? Deste modo, meu Pai, e apesar de praticamente só ter falado em Mães, estas palavras foram todas a pensar em ti. Um dia feliz, muitos parabéns. Pai é Pai. E como o meu não há nenhum. Está bem, pronto Mãe, não fiques com ciúmes: também como tu não há igual.



Gelatina
Outubro 9, 2008, 9:56 pm
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O mundo treme mas não pára. Hoje em dia treme por dois motivos: por tudo e por nada! São como que sismos à superfície com a diferença de que estes não atingem apenas e só uma determinada zona do planeta. É global, e embora para estes possa haver solução, o que é certo é que tardam em surgir resoluções concretas. Há sempre interessados na instabilidade, há sempre quem lucre muito mais com isso. E são, não raras vezes, mais poderosos do que aqueles que tudo fazem pela estabilidade. O mundo treme. Hoje é o petróleo que sobe porque se entupiu uma torneira algures na Nigéria ou um passarinho fez cócó na cabeça do responsável por encher mais um barril e por isso já não o fez. Tudo serve de desculpa. O mundo treme e é também culpa daquela casa de papelão no meio do deserto algures no Texas que não se vende e quem paga por isso? o resto do mundo! É um qualquer banco que antes de falir tenta levar tudo e todos consigo, qual Titanic. O mundo treme…mas os portugueses tremem ainda mais. Até nisto somos diferentes. Ao primeiro cheiro de crise temos a mania de baixar ainda mais os braços. “Venham acudir-nos, que daqui não mexo uma palha!”, é o que mais se ouve. Ter a  iniciativa de ao menos tentar sair por cima é quase nula. Agarramo-nos ao mastro para não nos afogarmos. E trememos Somos pequeninos, dirão alguns. Pois sim. Mas mais alguém tem Fado, Fátima e Futebol como nós? (sim, até no futebol de bastidores somos diferentes, temos Apito e Dourado!) Só não queremos é ser lixados com mais algum F grande. O mundo treme. Até quando?



(De)Mente
Agosto 15, 2008, 2:52 pm
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Num destes dias reparei numa mulher que se sentou bem perto de mim numa daquelas minhas bi-diárias travessias do Tejo. Ia a falar sozinha.Literalmente. Demente não me pareceu, aliás tinha mesmo um aspecto bem saudável, diria mesmo que está na plenitude dos seus trinta e poucos anos. Sim, eu sei que o que se vê muitas vezes não corresponde ao que está por dentro. Que pensamentos em voz semi cerrada iam naquela cabeça não sei, eram imperceptíveis, mas mesmo naquele seu ar sereno deu para constatar que havia muitos assuntos a divagarem de neurónio em neurónio naquele cérebro que fervilhava e levava aquele ser humano a não conseguir deter o que dentro de si se passava. Seriam preocupações? dúvidas? planos? Não interessa. Com o olhar fixado no horizonte, senti que a qualquer instante aqueles pensamentos sairiam em forma de imagens daqueles olhos cor de mel, não me admirando nada que dali resultasse um excelente argumento de um filme. O mais incrível é que aquela mulher não se ficou por ali e ao deixar para trás aquelas toneladas de ferro que a transportaram por breves minutos pelo rio, os pensamentos não se quedaram com o inicío da sua caminhada agora em terra firme. A cada passo, vários momentos de lábios faziam escorrer ideias. E lá continuou, sabe-se lá até onde, quando os nossos caminhos se descruzaram.



Zuuummmmmmm
Maio 28, 2008, 11:44 pm
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Insistia em jogar às escondidas. Vestia a sua capa e lá ia ela. Saltitava de parede em parede, agarrava-se ao cortinado, avançava para a madeira da cama para se camuflar. Eu sabia que ela por ali andava, cheiro-as à distância. Põem-me fulo pois imagino-as a rirem-se de mim à caça. Acho que chegam mesmo a gozar com a minha cara atacada. Mais parece que busco o Santo Graal ou a Atlântida. É o jogo do gato e do rato tal como o é a nossa vida. Uma vida de sobrevivência, de aperto, de tentativa de fuga ao que nos é contra. Jogam-se cartadas finais muitas vezes sem orientação própria. Pensa-se que estamos a salvo, resguardados, que tomámos as devidas precauções. E assim saltamos de pedra em pedra, à espera de não escorregar. Tal como aquela safada que continua escondida. Eu sei que está à espreita do meu próximo passo. Apago as luzes e assim fico uns minutos. Julgo ser o mais inteligente. Deveria sê-lo pelas leias da natureza. É no escuro que elas se movem melhor e cheiram o sangue. Quando a sinto no ar outra vez volto a atacar, luzes no máximo. Ali está ela, imóvel, bem por cima da minha cabeceira. Pé ante pé aproximo-me esperando que ela não sinta a minha tentativa desesperada de ter sossego. Faço pontaria, vai de chinelo mesmo, mas temendo que o sono que me ataca não me dê o discernimento necessário em tão nobre acção tendo em vista a minha serenidade, paz, sossego,  o que se queira chamar. Avanço num só movimento e já está! Esborrachada, espalmada. Como muitos de nós se sente muitas vezes quando a sua luta, a sua própria luta, não leva a nada ou não leva onde se quer. Uma luta pela vida foi o que também fez esta maldita…melga.



Amor de clube
Março 26, 2008, 10:13 pm
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Dizia-me uma amiga minha há pouco tempo, resumidamente, isto: que bom que era gostar-se de tudo, da mesma forma que se gosta de um clube de futebol. E realmente é verdade. Falo por mim. Como sportinguista é-me difícil esquecer os 18 anos de jejum que passámos ( e por estar andar vão ser mais 18!), mas alguma vez pensei sequer em deixar esta paixão de lado? Nunca! E por mais que sinta mágoa, desilusão ou tristeza, nunca irei virar costas e muito menos deixar de gostar e de me interessar, por muito que diga o contrário. Ainda agora, com tudo e todos a apontarem o dedo acusador ora à equipa, ora ao treinador, ora ao presidente (tanto pseudo-jogador/treinador/presidente que por aí há, meu Deus!), alguma vez me passou pela cabeça desinteressar-me ou mandar todos às urtigas porque são eles que ganham fortunas e sou eu que me chateio??? Já! e consegui? Não! Deixei de ir ao estádio, deixei de ver os resumos ou os jogos na tv? Nunca! Estou sempre com o Sporting, o meu clube, tal como você está sempre seja ele qual fôr. Sofro? Sim, como em qualquer paixão ou amor, com a diferença que esta nunca acaba. E porque é que é assim? Tem que ver com algo que dentro de mim me impede de deixar de gostar, porte-se o emblema bem ou mal, haja desilusão ou mágoa. Gostar, amar, adorar, o que lhe quiser chamar, mas sempre pronto a tudo lhe perdoar. Este gostar tão único e inexplicável, leva-me a concluir o quão bom seria sentir o mesmo por tudo e por todos.



LUA
Março 13, 2008, 12:29 pm
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É uma miragem. Tudo aquilo que me parece tão perto e que está tão longe. Como a lua. Da minha janela todas as noites lhe toco. E como ela gosta. Acaricio-a e ela sorri para mim. De tão pequena que é, cabe na palma da minha mão. Por vezes encolhe-se. Talvez com cócegas. Faço de propósito. Outras vezes está mais reluzente. Está muito mais minha. Enche só para mim. E como eu gosto. Gostava que o tempo parasse para poder estar sempre com ela. A toda a hora. A todo o momento. Entristeço quando se vai. Anseio pelo seu regresso. São horas intermináveis de espera. Enquanto isso, preparo o discurso. Tomo nota do que lhe quero dizer. E assim vou pensando nela, com o contra da saudade. Saudade que se esvai aos primeiros tombos do sol. Busco-a em todos os recantos do céu. Todas as noites surge de um lugar diferente. Ela brinca comigo ao esconder-se. Foi a forma que encontrou de me chamar a atenção. E eu retribuo. Salto de janela em janela. E ela lá está. Sempre. Sorri só para mim. É só minha. Porque de certeza que mais ninguém repara que ela está ali em cima. É apenas um corpo. Nada mais. Porquê perder tempo e ganhar dores de pescoço com tal figura insignificante? Pensam os tolos. E ainda bem, digo eu. Assim, ela é só minha. Não tenho que a partilhar com mais ninguém. E que bem que me sinto em ser egoísta. Eu, que não sou nada.

Difíceis são, no entanto, as noites instáveis. Aquelas que, por muito que a procure, não a vejo. É por isso que o céu chora. São as suas lágrimas que deixo inundarem-me a face. Porque também sei que sente a minha falta. Embora, um e outro, saibamos que estamos no mesmo sítio. Sempre. Outras forças nos impedem o encontro. Aí é a angústia que toma posse de mim. O saber que ela ali está e nem sequer me pode ver. Imagino-a a sorrir, na esperança do reencontro ser em breve. Mas será que esse sorriso não poderá ir em busca de outro? Um outro qualquer que, por um infeliz acaso, a tenha chamado a atenção. É aí que me mordo de raiva. De ciúme. Talvez patético, mas real. É muito mais forte que eu. Inexplicável mesmo. Mas não posso e não devo pensar assim. Afinal, ela amanhã vai sorrir-me mais uma vez. Basta eu querer. Um sorriso. E outro. E outro. E outro. Ela não pode fugir. Eu bem que podia. Mas não posso. Ou não quero. Não sei. Ali estou eu preso, amarrado ao tempo, de uma forma talvez nada sadia. Mas eu gosto. Que mais posso esperar? Não sei. Talvez tudo. Talvez nada. Talvez, talvez, talvez. Incógnitas. Indecisões. Dúvidas. Tudo me assalta a cabeça. Retrato a minha vida como um longo livro de páginas brancas, que só pode começar a ser escrito no futuro. No amanhã. Porque é um outro dia que se espera não ser o último. E porque cada segundo que passa no relógio, é um passo para o outro lado. Um lado que ninguém quer. Mas que talvez me levasse a estar mais perto dela. Ela, outra vez. Porque é que tem de haver sempre um “ela”? Talvez porque o Homem não nasceu para estar sozinho. E “ela” poderá fazer a diferença.

Por agora, a minha lua satisfaz-me. Por agora. E daqui a pouco? Como vai ser? Ela vai continuar sempre lá, no seu cantinho. E eu? Será que vou conseguir ignorá-la? Tento pôr-me à prova, à espera de conclusões. Conclusões que não chegam. Ficam pelo caminho. Caminhos que a vida desenha, por vezes sem darmos por isso. Caminhos que nos tentam dar algum sentido mas que, muitas vezes, são acidentados. E nem sempre estamos predispostos a saltar por cima. É por isso que continuo à espera da noite. À espera dela. Talvez me dê uma resposta. Talvez me continue a dar algum sentido. Talvez a miragem desapareça pela noite dentro e passe a adorar…o sol.